23/12/2019
Governo defende ampliar isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 3 mil

Texto: Jussara Soares/O Globo
Foto: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro defendeu, neste sábado, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para R$ 3 mil. Ele afirmou que a equipe econômica estuda a mudança e que a análise está "na reta final". Atualmente, quem ganha até R$ 1.903,98 não precisa entregar o formulário à Receita Federal.

Segundo Bolsonaro, o aumento desse teto seria uma medida importante de "desburocratização", que evitaria trabalho desnecessário à Receita e ao contribuinte.

— Quem paga imposto de renda nessa faixa, quando vai prestar (declaração), em março ou abril do ano que vem, ele tem nota fiscal, abate, ele recupera tudo de volta. Se a gente pode evitar essa mão-de-obra enorme para a Receita, para o cara que às vezes tem que procurar um vizinho, um filho, tem dor de cabeça para fazer essa declaração de imposto de renda, passa o limite para 3 (mil reais) — afirmou o presidente.

Bolsonaro destacou que considera "ideal" um limite de R$ 5 mil, mas que, nesse caso, o impacto seria "muito grande" na arrecadação.

— Está em 2 (mil reais) agora, se passar para 3 (mil reais), já começa a sinalizar realmente uma desburocratização.

Ele disse ainda, ao comentar a proposta de aumento do limite de isenção do IR, que pega determinadas ideias "do povo" e leva para a equipe econômica, que faz os estudos e aponta os motivos de aprovar ou não. Segundo o presidente, se sempre ouvisse "sim" dos auxiliares, desconfiaria.

Essa não é a primeira vez que o presidente Bolsonaro defende alterações nos parâmetros de cobrança de IR. Em maio deste ano, o presidente tinha prometido corrigir a tabela do Imposto de Renda pela inglação de 2020.

Naquela ocasião, Bolsonaro afirmou já ter dado a orientação de correção ao ministro da Economia Paulo Guedes, e acrescentou ainda que, “se fosse possível”, queria ampliar o limite de gastos com saúde e educação que podem ser deduzidos do imposto.

Na conversa com jornalistas no Palácio do Alvorada na manhã deste sábado, o presidente Bolsonaro disse que a economia seguirá como "carro-chefe" de seu governo em 2020. Ele citou que deseja criar um programa de incentivo para a abertura de empresas.

- O que mais nós queremos é facilitar a vida de quem quer empreender. Tem que lançar o plano "Minha Primeira Empresa" para tirar isso do discurso da oposição. Você quer criar uma empresa, vai criar. O salário está baixo, você paga R$ 5 mil, R$ 10 mil, R$ 30 mil para quem for trabalhar na tua empresa, esta que é a ideia - disse.

Questionado sobre a criação de novos impostos, Bolsonaro evitou responder, alegando que não queria constranger o ministro da Economia, Paulo Guedes, por um desconhecimento seu. Após apelidar Guedes de Posto Ipiranga durante as eleições, o presidente disse hoje que o ministro da Economia é o seu patrão.

-Eu que tenho que me alinhar a ele, não ele a mim. Ele que é meu patrão nesta questão, não eu o patrão dele - disse.

Segundo o presidente, o único pedido que faz a Guedes é para simplificar os projetos. Bolsonaro disse ainda que o Executivo apresentará propostas aos projetos de reforma tributária que existem no Congresso.

-Eu vou na linha do Posto Ipiranga. Ele falou que vai apresentar sugestões em forma de emendas. É um interesse da sociedade a reforma tributária como era a Previdência. Não vejo tanta dificuldade. O que tenho falado com o Paulo Guedes é usar mais a palavra simplificação. Se no passado todas as outras tentativas não deram certo, se tivesse simplificado um pouquinho, hoje, talvez, não precisasse de uma reforma tributária.

Projeto para Exército

Bolsonaro anunciou, neste sábado, que vai enviar um projeto de lei para o Congresso para aumentar a diária recebida por soldados do Exército que trabalham em obras de infraestrutura no país. Ele afirmou que quer elevar o valor de R$ 25 para R$ 50. Bolsonaro disse que conversou com a equipe econômica e que é possível propor o reajuste no Parlamento.

- Será um reconhecimento da nossa parte - afirmou Bolsonaro, que é ex-capitão do Exército.

Ele disse que a medida vai beneficiar o "soldado nosso que está na linha de frente" e "trabalha de domingo a domingo". A medida foi anunciada em conversa com jornalistas, enquanto Bolsonaro falava de obras em rodovias federais que serão feitas pelo governo no próximo ano, em continuidade a projetos semelhantes tocados ao longo de 2019 com uso de mão-de-obra de militares.







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