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Nascido em Baixo Guandu, em 28/04/1929, nosso colega Alaor Braga, nos conta um pouco de sua história no fisco.
Na juventude, estudou no Ginásio Brasil, na sua querida Baixo Guandu. Para completar o segundo grau, quando já era fiscal, Alaor contava com a ajuda do colega Carlyle de Aquino Rosa. “Eu trabalhava no Posto Fiscal e o colega me rendia para eu poder estudar. Quando terminavam as aulas, às 10 horas da noite, então, eu retornava ao Posto Fiscal”.
Antes de ser fiscal Alaor foi caminhoneiro. “Logo depois fui trabalhar como balconista para o Sr. Odilon Milagres, o nosso saudoso deputado estadual, representante do município de Baixo Guandu”, lembra Alaor.
“A morte desse senhor foi uma perda muito grande para o Estado e também para o nosso município. No ano de 1959 fui apresentado por ele para fazer um teste de capacidade na Secretaria da Fazenda. O teste foi aplicado na Divisão de Receita pelo nosso grande amigo Alcino Santos e também o Cunha. Nesta época o Diretor da Receita era o Aloísio Simões, e graças a Deus fui aprovado no teste”.
Logo em seguida, o colega Alaor foi contratado como vigilante de Fronteira. “Eu ia para Barra de São Francisco, Zona do Contestado, mas o Sr. Odilon Milagres pediu a minha vinda para Baixo Guandu. Comecei no Posto Fiscal Jones dos Santos Neves, depois fui transferido para o Posto Fiscal do Km 4 do Mutum Preto. Neste Posto trabalhei 12 anos, os primeiros 5 como vigilante e depois fui nomeado Auxiliar de Arrecadação”.
O trágico acontecimento
“No ano de 1975, aconteceu uma grande tragédia na minha vida. O Posto onde eu trabalhava ficava perto da fazenda de um compadre meu chamado Josélio Barros. Neste mesmo ano, em Nova Almeida, no município da Serra, o Major Orlando Cavalcante foi assassinado pelo fazendeiro Josélio Barros e mais três pistoleiros. Umas três horas após o crime, ele passava no Posto Fiscal onde eu trabalhava. Em virtude de eu ser compadre de Josélio Barros, a polícia interpretou que eu estava dirigindo o jipe e logo em seguida deu no noticiário da televisão que o Fiscal do Posto estava envolvido no crime. Então a polícia foi lá me prender”.
Alaor ficou 8 meses e vinte dias preso, sendo três meses incomunicável, no quartel da Polícia Militar e na Casa de Detenção. “A minha condição não era das piores porque eu tinha boas amizades e nunca tinha feito nada de errado, nem sequer andava armado. Todos os fiscais que estavam no plantão daquele dia foram envolvidos e presos. A minha sorte é que o meu compadre Josélio Barros arcou com todas as despesas. Meu advogado foi o Dr. Berredo de Menezes, por sinal o melhor do Estado na época”.
Logo que foi libertado, em 1975, Alaor foi transferido para Baixo Guandu. “A nossa preocupação era muito grande, pois tínhamos medo de morrer. Fui trabalhar no Posto Fiscal Coronel Leôncio Rezende, na divisa com o Estado de Minas Gerais. Logo em seguida fui nomeado Inspetor de Rendas Auxiliar e transferido para Afonso Cláudio para trabalhar na Fiscalização de Rendas”, recorda Alaor.
Nosso colega trabalhou ainda em Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, São João de Laranja da Terra, Itarana, Itaguaçu, Santa Tereza e Fundão. “Fui nomeado Inspetor Fiscal Auxiliar, Fiscal de Rendas ‘C’ e finalmente Fiscal de Tributos Estaduais - FTE. Não tendo possibilidade de retornar à minha cidade de origem, que é Baixo Guandu, resolvi apelar para a política e deu certo. Consegui voltar para Baixo Guandu e fui trabalhar como Encarregado de Fronteira, já com um carro. Fazia toda a divisa do estado de Minas com o Espírito Santo e tive grandes chefes como Neicimário Linhalis, Dr. Joemar e muitos outros.
A carreira política
“Em 1976 me candidatei a vereador e passei a trabalhar na Câmara Municipal, além de fiscalizar representando o povo guanduense. Fui eleito vereador, pelo PDS, com 480 votos. Em Janeiro de 1977 assumi minha vaga na Câmara Municipal de Baixo Guandu.
Em 1982 fui eleito novamente, com 420 votos, pelo partido da ARENA, para dois mandatos de 6 anos. Em 1988 fui eleito para um mandato de 4 anos que se encerrou em 1992. Entre 1979 e 1980 fui eleito Presidente da Câmara e líder do prefeito, Dr. Wilson Lopes. Também fui vice-presidente da Comissão Especial que elaborou a Lei Orgânica do Município de Baixo Guandu”.
“Hoje vivo feliz. Aposentei em 1990 e nestes 35 anos de serviços prestados ao Estado, nunca sofri nenhuma advertência ou qualquer outra punição. Agradeço ao Grande Arquiteto do Universo por ter me concedido, nos meus 75 anos de idade, completados no dia 28 de abril, muita saúde e muita felicidade”
Publicado no jornal Ação Fiscal de maio de 2004.
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