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APOSENTADO DO FISCO, MAS SEMPRE ATIVO NA LUTA PELA CATEGORIA
Orlando Pereira Fernandes entrou para o estado em novembro de 1964. No cargo de Vigilante de Fronteira, foi lotado em São Torquato, Vila Velha, como Auxiliar de Coletoria, e sempre se destacou. Em 1965, um ano após estar na Agência de São Torquato, conheceu o Sr. Aristeu Varejão Passos Costa, que assumiu a agência, e é uma pessoa de quem guarda grande admiração e profundo agradecimento pela ajuda proporcionada quando estava na ativa. “O Aristeu foi o meu pai na minha vida funcional”, acrescenta com carinho. Conta que Aristeu inaugurou a Agência da Glória em 1965, e ele foi junto, ainda como auxiliar, a pedido dele, para ajudá-lo. “O bairro da Glória já começava a se despontar como um grande pólo industrial no período, fato que levou a Secretaria da Fazenda inaugurou a agência naquela região”, relata Seu Orlando. Depois seguiu para a Agência de Vila Velha onde ficou até o ano de 1971, permanecendo como Auxiliar.
Nesse ano, quando foi feito o primeiro concurso público para carreira dentro da Secretaria da Fazenda, ele ficou em 24° lugar para o cargo de Agente Fiscal, antigamente chamado de Chefe de Escrivaninha. “Eu fiz o concurso como acesso. Já era nomeado, e passei a ser efetivo nesse cargo”, acrescenta. Em 1972 passou por Domingos Martins para substituir um coletor, local que ficou mais ou menos por um mês, indo e voltando para Vitória todos os dias. Já em fevereiro de 1973, foi nomeado Coletor na Agência de Itaguaçu. Mudou pra a cidade com a família e com a ajuda do amigo e fiscal Brás Bicalho, conseguiu se integrar à comunidade, onde passou 5 anos como Chefe da Agência local. “Nesse período eu sempre voltava pra Vitória nos fins de semana, porque meu pai estava doente. Sempre passava por muita dificuldade nessas estradas, que eram piores, e ainda existia muito estrada de chão”, relembra Orlando. Em Itaguaçu ficou até 1978, quando voltou para a Grande Vitória. No seu lugar ficou a fiscal Amaurinda Binda, uma grande amiga.
Assumiu no mesmo ano a Agência de Vila Velha, onde atualmente é o Unibanco, lugar onde passou muitas dificuldades com as condições precárias de trabalho. “A Agência não oferecia muito conforto, era muito pequena”. Mudaram ainda para outra agencia até chegar na Agência de Vila Velha atual. Conta com muito orgulho que foi por iniciativa dele junto ao governo do Max Mauro a construção dessa agência onde ela é hoje. “Eu ajudei a inaugurar no cargo de Coletor. Fizemos até uma festa. Um dos motivadores daquilo ali, além do governo, fui eu”, relembra. Continuou ali até o governo Albuíno Azeredo, quando houve a mudança de cargos. Nessa época, antes dessa mudança, a chefia era um cargo remunerado igualmente ao de qualquer outro fiscal, então, o único privilégio que eles tinham, era o de ficar dentro da Agência, sem precisar trabalhar nas ruas, dessa forma, poucos tinham interesse no cargo. “Era um cargo de chefia e ao mesmo tempo não era, porque de certa forma eu recebia o mesmo que eles, sendo chefe deles”, acrescenta. A mudança ocorrida no governo Albuíno, passou a remunerar os chefes de Agência, e mesmo ele querendo permanecer no cargo, foi substituído por outro fiscal. “Eles queriam que eu continuasse como auditor fiscal, mas eu não quis continuar, preferi me aposentar”. Desse momento ele não guarda boas lembranças, pois não chegou nem a completar o tempo de 35 anos, se aposentou com 33 anos de serviço. “Eu fiquei muito aborrecido, achei uma ingratidão muito grande, de ter estado um tempo tão grande dentro da agência, e quando eu queria continuar eles não permitiram”, conta.
Atualmente, Seu Orlando vive em Vila Velha com a esposa, Maria Tereza Martins, e tem três filhos. Mesmo não estando mais na ativa, está sempre presente na luta por melhorias tanto para ativos quanto para aposentados do fisco, seja fazendo parte do Conselho do Sindifiscal, ou também como conselheiro em duas gestões da Coopfisco. “Posso dizer que foi uma das grandes coisas da minha vida foi ter conhecido e trabalhado com Júlio, uma pessoa que pauta pela honestidade e que me passou muita coisa boa”, conta Seu Orlando.
E finalizando, ele nos conta sobre sua maior riqueza dentro do Fisco. “Foi justamente o grande apoio dos colegas que eu recebi dentro da Fazenda que guardo com muito carinho e consideração”, relembra com saudosismo. Vários amigos, entre fiscais e funcionários por onde passou, foram pessoas muito importantes na sua formação como fiscal e também como pessoa. Pessoas como Dona Elzi, funcionária de Vila Velha, Dona Maria da Glória, a Glorita, Dona Maria Alice Fidalgo, Eumano Frossard Paixão, Anita Dal´Cool, Dona Valéria, Dona Regina Grijó, que já é até falecida, e também Dona Virgínia Tâmara Ítala, também falecida, dentre outros.
Um Fiscal Religioso
Além de fazer muito bem seu trabalho no fisco, Seu Orlando também era conhecido e requisitado pelas pessoas de sua comunidade em Itaguaçu para outras coisas. Como sempre foi uma pessoa muito religiosa, assumia a paróquia na ausência do padre local, que era holandês. Assumia como leigo, e fazia celebrações. Foi um dos primeiros a administrar a eucaristia, fazia visitas e ministrava a comunhão aos doentes, preparação de batizados, preparação para casais, dentre outras coisas. “Quando morria uma pessoa eles batiam em minha porta e procuravam pelo ‘padre-coletor’”, conta aos risos, sobre a associação das pessoas. Atualmente, continua o trabalho pela igreja na comunidade onde mora, em Vila Velha. “Fui investido como ministro do matrimônio e agora vou poder fazer casamentos”, conta com orgulho.
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