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   Memórias do Fisco  

Anacleto Freire Gonçalves "Fiscais: verdadeiros heróis!"


Anacleto Freire Gonçalves entrou para a vida no fisco na década de 70. Fez o concurso público em junho de 1972, e ficou classificado em terceiro lugar. Assumiu em 1973, e foi lotado em Colatina, o que até hoje considera uma desigualdade, porque como teve uma boa classificação, deveria ter tido o direito e a prioridade de ficar em Vitória, mas a política fez com que ele fosse lotado no interior. No mesmo ano de 73 saiu de Colatina porque sua mulher estava esperando o primeiro filho, "Fiz uma solicitação dizendo que minha mulher tinha desmaiado e precisava ficar em Vitória para o atendimento médico", conta Anacleto. Assim, eles o trouxeram para a capital, onde foi trabalhar em Postos Fiscais.

Laborou em vários postos, como o de Colatina, Canaã, Santa Isabel, Carapina, entre outros. Passou um tempo nessas idas e vindas, mas percebeu que não era lugar pra ele, porque sempre havia alguns colegas que não estavam agindo de acordo com o que se espera de um auditor, "Tinham uns que queriam fazer coisa errada!", contou. E com medo de se envolver, fez uma solicitação e saiu de lá para o serviço interno.

Relembra que quando trabalhou em Cariacica, no Posto Fiscal, muitas pessoas falavam que ali era um lugar perigoso. Em um desses dias de trabalho, o rapaz que fazia a escala com ele saiu para resolver alguns problemas e o deixou sozinho no posto. "E naquela época ninguém ensinava nada e a gente ficava ali sem saber como proceder e sem defesa", relembra. "Acontecia de caminhões passarem pelos postos, de um lado pra outro sem a gente ter como controlar".

Lembra que nessa época fez grandes amizades, mas acabou mudando de cargo, até porque, como afirma, toda regra tem exceção. "Nem todos os fiscais conseguiam permanecer nos postos naquele tempo, muitos fiscais são verdadeiros heróis", diz com orgulho de sua profissão. "Havia pessoas que mereciam estar em lugar melhores. Mas infelizmente essas pessoas tinham que se sujeitar a isso por causa da política", completa.

Em 1974, foi trabalhar no Departamento de Arrecadação. Conta que em um dia de trabalho no departamento, encontrou com Nyder Barbosa de Menezes, Deputado Estadual na época, que se dirigiu a ele perguntando se ele tinha alguma chefia nesse departamento. Como a resposta foi negativa, seu Anacleto conta que na mesma hora ele se prontificou a lhe dar uma chefia, e pediu que no dia em que surgisse um cargo disponível era para ele lhe avisar que o cargo seria dele.

Mas só 4 anos depois, no ano de 1978, ele ocupou o cargo de Chefe do Departamento de Arrecadação Fiscal, lugar onde ficou até se aposentar. Deixou a carreira ativa do fisco em 1988. "Me aposentei, mas os amigos não queriam que eu saísse, a turma era muito boa, tínhamos uma amizade profunda", conta com saudosismo.

Depois que se aposentou do fisco, ainda assim teve que continuar lutando para formar os cinco filhos que hoje lhe são motivo de orgulho. "Todos conseguiram passar na UFES com distinção", conta. Mas para sustentar essa turma toda, mantinha uma quitanda em Paul, e sua mulher, Zilma, costurava para fora. "E consegui vencer!"

E entre outras histórias, seu Anacleto finaliza dizendo que "têm coisas que a gente não pode nem falar". E com o bom humor que lhe é tocante, afirma que conseguiu o que mais queria em sua vida, que era formar e dar uma vida tranqüila para seus filhos. "Realizei meu sonho!" Isso é o mais importante.

 

Orlando Pereira Fernandes

Anacleto Freire Gonçalves

Getúlio Marques Figueiredo

Almir Vieira Lima

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Jair Gomes da Silva

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Paulo Valiate Pimenta - "Professor Paulo"