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Um fiscal sem medo de desafios
Sr. Almir Vieira Lima entrou para a fiscalização em outubro de 1953 como Auxiliar de Arrecadação. Com muito orgulho ele lembra que prestou concurso, passou em 4º lugar e logo foi nomeado. "Entrei no estado junto com Almir do Carmo, Dalton Zipinnotti, Amarílio Lunz, essa turma toda."
"Lembro até hoje, quando passei no concurso tinha acabado de concluir o científico no Colégio Americano e meus colegas me perguntavam: Você tem coragem de trabalhar no meio do mato? E eu fui. E não me arrependo. Valeu a pena!"
A vida funcional de "Seu Almir" foi cheia de desafios. Seu primeiro local de trabalho foi na divisa de Baixo Guandu com Aimorés no Posto Fiscal conhecido como "Ponte do Mauá". Não existia prédio, nem abrigo "eu ficava no meio da estrada e quando era preciso tinha que parar os carros acenando mesmo". Quando necessário, o grupo escolar mais próximo servia de abrigo.
Ainda em Aymorés, trabalhou em Posto Mutum. As condições também não eram boas, Sr. Almir conta que tinha de dormir e fazer as refeições na casa de um colono.
Depois de um período foi trabalhar como auxiliar do Coletor em Baixo Guandu. "Quando Chiquinho assumiu o Governo do Estado mudou toda sua equipe, inclusive os inspetores e novamente fui transferido."
Dessa vez Sr. Almir foi trabalhar em Alto Pancas, numa fazenda produtora de café na divisa de Minas Gerais, para impedir a saída de café sem fiscalização. E quando pensou que estava tudo bem, novamente foi para o "meio do mato", foi transferido para o Posto Fiscal de Alto Cuparaque.
"Era o pior posto do Estado porque ficava numa região de contestado". Sr. Almir tinha que prestar contas em Mantenópolis e viajava de 2 a 3 horas a cavalo carregando dinheiro arrecadado. "Era uma região muito deserta e perigosa em cada curva da estrada tinha uma cruz cravada no chão."
Na época pediu ajuda ao deputado Luiz Batista para ser transferido. Só assim conseguiu retornar para Coletoria de Baixo Guandu onde ficou até 1959.
De Baixo Guandu, Sr. Almir foi trabalhar na recebedoria de Colatina. Era responsável pelo pagamento dos professores e também pelo recolhimento do imposto. Neste período também trabalhou no licenciamento e emplacamento de veículos.
Em 1967 aconteceu sua primeira promoção, assumiu o cargo de Coletor na Agência de Afonso Cláudio. Foi felicidade em dobro, além da promoção Sr. Almir estava em casa, sua terra natal. E ficou lá durante 10 anos.
Após este período veio para Vitória e foi nomeado Chefe da Agência de Domingos Martins. Ficou morando em Vitória e trabalhando em Domingos Martins durante 4 anos.
Em 1980 assumiu a Agência da Serra e guarda uma boa recordação, foi em seu período como chefe que um antigo pleito dos colegas foi atendido: a construção do novo prédio da agência.
E após 37 anos e meio de trabalho dedicado exclusivamente ao Fisco Capixaba, Sr. Almir encerrou sua carreira. E completa que ainda deixou dois anos e meio de férias para trás.
Uma grande saudade são os amigos, "são muitos colegas que hoje não encontro mais, ficamos sem contato". Para Sr. Almir, o trabalho apesar de pesado e de muita responsabilidade faz muita falta também. "Na agência da Serra eram muitos processos de empresas grandes, tínhamos que ter muito cuidado". E Sr. Almir tem orgulho de ter encerrado sua carreira sem nenhum problema.
Hoje, aos 79 anos, Sr. Almir tem aproveitado bastante a aposentadoria. Em 1996 fez uma viagem ao exterior. "Conheci a Terra Santa, o rio Jordão, tomei banho no Mar Morto, andei de camelo e também visitei a região de conflito na fronteira entre Líbano e Israel. Na Europa visitei Paris, o Palácio de Versalhes, o Vaticano e vários lugares que ficarão para sempre na memória."
Publicado no Jornal Ação Fiscal nº 111 - Out-Nov-Dez/2006
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