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Paulo Fernandes Rangel, ATE- II, tem 28 anos de fisco, 14 de sindicalismo e foi o condutor do processo que transformou o Associação do Fisco - AFES em Sindicato dos Fiscais, nos idos de 1988, a partir da promulgação da nova Constituição.
Ele nos faz um balanço da evolução do Sindifiscal/ES, que foi um dos primeiros a serem criados no Brasil, logo após a criação da Federação dos Fiscais de Tributos do Brasil - FENAFISCO, movimento do qual Paulo Rangel participou ativamente.
"Quando fomos fazer a transformação aqui no ES fomos muito criticados pelo pessoal do PT, então resolvi convidá-los para vir para dentro da AFES fazer o novo estatuto e eles vieram. A diretoria era formada pelo Gava, Leonardo Batata e eu, como presidente", lembra Rangel.
O sindicato tinha uma força política muito grande, e era respeitado pelos governantes. Desde a primeira greve, em 88, a participação dos fiscais foi total. A categoria fisco sempre foi muito respeitada pêlos servidores públicos do Estado. "Não acontecia uma reunião ou assembléia de servidores públicos sem a presença do nosso sindicato. O Sindifiscal chegou a dar a estrutura básica, com sala, mesas, cadeira e máquina xerox, para criação do SISEADES", ressalta o ex-presidente.
"Mas a credibilidade dos sindicatos começou a cair por causa da irresponsabilidade dos governantes para com os servidores". Esse desrespeito, segundo Rangel, teve início com o "caçador de marajás" das Alagoas, Fernando Collor, que foi combatido por todos os presidentes de sindicatos do Brasil por causa de sua campanha mentirosa contra o servidor.
"Na greve que fizemos, já no governo de Albuíno, houve um impasse muito grande e o governador irresponsavelmente falou que podíamos até `fechar a SEFA`. A desmoralização do servidor público pelos governantes, aumoentou tanto que hoje vemos a CGT e a CUT negociarem salário para manter emprego”, desabafa Rangel.
A diretoria que assumiu o Sindifiscal após ele, presidida por José Fermo, ligada ao PT, propôs "mudar tudo", mas na opinião de Rangel foi a que "mais desintegrou a categoria, por desviar o sindicato do seu objetivo principal, que era o tributo", e entrar em lutas de sem-terra e outras. "Nós falávamos prá eles que não tem luta mais bonita e mais séria, que beneficia mais a sociedade, do que a luta pelo tributo . Não precisávamos ir prá rua lutar pêlos sem-terra, bater lata, porque tínhamos uma arma poderosa na mão que é o tributo, que move tudo, os governantes, a sociedade. Mas os governos não querem mexer com o tributo porque é antipático, não traz voto, então desprezam a SEFA e a arrecadação, acham melhor `negociar` que tratar o tributo com seriedade", afirma ele.
As dificuldades esfriaram o movimento e o sindicato teve que priorizar os benefícios sociais para a categoria. Nos últimos 4 anos criaram a Cooperativa, fizeram convênio com a UNIMED e construíram uma sede social. Segundo Rangel, são conquistas da categoria através de uma diretoria que levou o sindicato a sério, administrou bem. "Um sonho nosso sempre foi fortalecer o sindicato financeiramente, pois sem dinheiro não se faz luta sindical. Esse foi um de nossos combates, contrário à linha que os do PT seguiam, que era pelo fim do imposto sindical. Eles não tinham a visão de que, enfraquecendo financeiramente as entidades, estavam entregando de bandeja aos governantes. Isso é fisiologismo? É! O sindicato tem mesmo que se voltar para os seus associados", confirma ele.
A proposta de Paulo Rangel era moralizar o tributo, por isso, a idéia da educação tributária. "Joemar foi a primeira pessoa a falar do tributo nas escolas, depois o Gava elaborou um projeto de lei que foi difícil introduzir na Assembléia, porque nenhum deputado quis apresentá-lo, nem os do PT. O único que aceitou foi o José Gratz e a Lei foi aprovada por decurso de prazo, porque nem o governador sancionou", recorda. "Sempre acreditamos que ao educar a criança, teríamos um futuro social para nosso tributo. O primeiro município do Brasil a introduzir o tributo nas escolas, na Lei Orgânica foi Baixo Guandu, em 88, por meio do advogado Miguel Deps Talon. Inclusive o Sindifiscal foi homenageado pela Câmara Municipal de lá por ter levado a idéia", afirma ele.
Mesmo sem querer mais participar de diretorias, Paulo sempre acompanhou o sindicato e está solidário com tudo que é bom para os fiscais. "Com a chegada da diretoria do Júlio, o sindicato realmente tomou um rumo diferente, aquele que nós queríamos. Passou a pensar mais na categoria, nas benesses sociais. Eles assumiram o sindicato numa época em que as reivindicações políticas dos sindicatos, estavam sendo bombardeadas pêlos governantes. A diretoria anterior, presidida pelo Wilson, também teve seus méritos, pois adquiriram o terreno da nova sede social, o convênio com UNIMED, criação da Cooperativa", ressalta.
O trabalho que a diretoria do Júlio vem fazendo, de congrassamento com os associados, deixa o pessoal muito satisfeito, segundo Paulo. "As viagens pelo interior, as reuniões festivas no final do ano com as famílias, é o que a gente sempre sonhou!".
"O dia que eu mais me emocionei foi quando fui visitar a construção da nova sede social e encontrei aquilo tudo já quase pronto. Fiquei 20 anos no sindicato sonhando com isso! Nós sabíamos que a sede social era um sonho da categoria e isso já é uma realidade. Faço questão de estar presente na inauguração por que para mim isso é uma realização muito grande".
Publicado no jornal Ação Fiscal de junho de 2001.
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