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O colega Ari Pereira Bezerra, aposentado há dois anos, prestou serviço como ATE-II, foi chefe de fiscalização do Estado e chefe de fiscalização volante. Foi eleito vereador em Vitória por 3 mandatos, sendo candidato pela primeira vez em 1986, quando foi eleito pelo PDS, e obteve mais 2 mandatos até 1991, pelo PFL e PPB. Não vai mais disputar mandatos eletivos porque já implantou três pontes de safena e a família não quer sua saúde em risco. Mas como a política tá no sangue, ele continua como membro do diretório municipal do PPB de Vitória.
O que animou Ari Bezerra a candidatar-se a vereador foi um apelo anônimo, enquanto trabalhava no posto fiscal de Santa Izabel. "Uma pessoa passou e apontou: Vereador! Então eu olhei para um lado e prá outro não vi ninguém. E ele disse: É você mesmo! Você vai ser candidato a vereador em Vitória. Aí eu guardei aquilo na cabeça e comecei a fazer minha campanha para vereador e me elegi. Antes eu não tinha pretensão, mas ouvi aquilo e fiquei matutando. Cheguei em casa falei com a família, eles aprovaram a idéia e eu saí em campo e conversei com os colegas da fiscalização, que lhe ajudaram na época e assim ganhamos", recorda Ari.
O primeiro mandato foi mais para estudar o Regimento Interno da Câmara, para conhecer todas as normas da casa. Para conhecer o que se faz na Comissão de Justiça, na de Finanças, em todas as Comissões. Depois o desafio foi aprender a desenvoltura no plenário, que é basicamente saber lidar com os vereadores, a oposição, e saber discursar e negociar com os demais vereadores.
Já no segundo mandato ele engatinhava sozinho. "Fazia meus pronunciamentos, assumi a comissão de Finanças e cheguei à presidência da Câmara no último mandato", diz ele.
Foi preciso também aprender a lidar com a população, receber as pessoas e tratá-las bem. "Ia muita gente lá pedir todo tipo de coisas e a gente não pode deixar de tratá-los bem. Um pede emprego, outro pede para ser hospitalizado, outro pede operação, outro pede para trabalhar em firmas particulares, e a gente procurava, dentro do possível, acertar a situação de todos. Cerca de 15 a 20 pessoas nos procuravam no gabinete, por dia, e nós atendíamos todas", lembra o ex-vereador.
Uma decepção
"Quando fui eleito vereador pela primeira vez, eu achava que tudo aquilo que eu pensava por em prática eu poderia fazer. Mas acontece que existe dentro da Câmara aquele `rolo compressor`. Você quer fazer um projeto pensando que é o melhor para sua comunidade, mas os outros vereadores não pensam assim, ficam com ciúme e não aprovam. Assim é também na Assembléia Legislativa, no Congresso Nacional. Aí eu fui vendo como era difícil trabalhar pelo povo. As vezes eu elaborava trinta projetos e eram aprovados um ou dois, porque os outros iam de encontro aos interesses dos demais vereadores que tinham ciúme, achando que aquele projeto podia me dar muitos votos e eles não se elegerem na próxima eleição. Aí eu tive que aprender a jogar também para sobreviver, senão ficava isolado".
Uma satisfação
Mas a maior satisfação era poder contar com aquelas pessoas pobres que iam à Câmara Municipal de Vitória para agradecer o que conseguíamos fazer por eles. Eu fiz muito pelo social. Na época o Sarney pedia para fazermos o social e eu fui um vereador que colocou mais de 2 mil pessoas na prefeitura: coordenadora, supervisora, orientadora, professor A, professor B, fiscal, braçal, servente. A maior satisfação era ver esse pessoal trabalhando e ganhando o seu pão de cada dia e isso me deixava realizado.
O apoio dos fiscais foi muito importante para a sua primeira vitória eleitoral. "Para mim essa foi uma experiência muito boa. Os fiscais são muito unidos e por isso eu acredito que um candidato a deputado estadual nosso, vai se dar muito bem. Ele vai ser a mola mestra da fiscalização do Estado. É por aí que nós vamos começar a fazer com que a classe se motive a ficar unida, a não deixar acontecer outra vez de ficarmos 7 anos sem aumento, por que não tínhamos um representante e hoje temos plenas condições de eleger um deputado que vai trabalhar pela classe e sem dúvida nenhuma será um dos mais votados do ES. Eu vou dar todo meu apoio ao candidato a deputado do fisco.
Publicado no jornal Ação Fiscal de agosto/setembro de 2001.
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