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Sebastião Veridiano de Souza 68 anos de idade, trabalhou para o Estado como fiscal durante 35 anos e nove meses. É casado há 43 anos com Zeni Rodrigues de Souza com quem teve dois filhos. "Quando eu entrei no Estado eu trabalhava na zona protestada, fui contratado e comecei em Barra de São Francisco, depois fui para Mantenópolis, Alto Rio Novo e no ano de 1999, em Colatina, encerrei minha carreira e vim para Vitória".
Segundo Veridiano, quando começou a trabalhar era tudo muito difícil, época em que o chefe era xerife e que o acesso a determinados lugares era só a pé. "Todos tinham mais medo do chefe do que o diabo da cruz", brinca. Eles trabalhavam à noite no meio do mato vigiando café, sem nenhuma segurança e às vezes levavam pauladas e tiros dos moradores da região.
Ele relembra, com orgulho, por ter superado todas as dificuldades, em uma época em que não havia recursos e não havia boas condições de trabalho. "Eu caminhava três horas e meia a pé do posto até Mantenópolis para comprar alimento, não tinha transporte, não tinha nada". Lembra ainda que já ficaram um ano sem receber do estado e sobreviviam com a ajuda através de vales. Veridiano afirma que todos os 35 anos e nove meses que trabalhou como fiscal foram marcantes em sua vida.
"Nós trabalhávamos no meio da estrada, com chuva, com sol, a noite toda e a minha esposa estava presente, me acompanhava para onde eu fosse e sempre com uma arma na mão para se proteger à noite. O ensinamento que eles nos davam era somente pegar a arma com muita munição e salvar a sua vida. Eu só fui aprender a tirar talão com oito meses, porque o José Polinário, da coletoria, me ensinou. Era um lugar que não tinha nada, eu trabalhava sozinho no posto, dia e noite. Para sair do posto e ir à cidade para comprar remédio ou comida eu tinha que pedir ao coletor para mandar um outro fiscal ficar no lugar até eu chegar. Só saia do posto mesmo quando tirava férias".
Antes de Veridiano aposentar ele ficou 20 anos trabalhando à noite e não havia luz elétrica. Conta que usavam lampião de querosene e todos os dias de manhã acordavam com o nariz e o rosto sujos. Ele lembra que era comum os colegas brincarem à noite com o lampião e sujarem o rosto todo com carvão.
"Eu aposentei, não por vontade minha, mas por problemas de saúde. O Dalton Perin Zipinotti, que já faleceu, era uma pessoa muito digna, que me disse: _Você deve se aposentar porque não agüenta mais trabalhar. Se aposenta e vai viver sua vida. De agora em diante vai ser a era do computador e você não vai agüentar acompanhar. E eu segui o conselho dele e me aposentei com 7 mil pontos, o que é pouco, porque quem se aposenta com 10 mil se aposenta melhor".
Ele guarda na memória os amigos que fez, mas infelizmente já faleceram quase todos, ele relembra alguns deles como o Silvano Texeira Melo, Arlindo Rocha e muitos outros. "Da minha época só estamos vivos eu Joana Nunes de Oliveira".
Segundo Sebastião, para ser um fiscal naquela época, não era necessário fazer prova e competir com centenas de pessoas como hoje. "Perguntavam na rua quem queria ser fiscal, e eu agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade". Disse ainda que a única coisa que o aborreceu foi o ex- governador Vitor Buaiz ter retido o salário por três meses, o que lhe causou dificuldades. "Eu tive que me virar, comprava carro velho para revender, mas mesmo assim fui parar no SPC e no Serasa".
Ele conta que já passou por uma série de cirurgias e que já teve muitos problemas de saúde, porém começou uma vida nova em Colatina, através dos estudos. Sempre na companhia de sua esposa e seus dois filhos, já grandes, completou o ginásio, fez curso técnico de contabilidade e um curso intensivo na faculdade de teologia de Campinas que durou três anos .
Logo depois que Sebastião Veridiano aposentou passou por uma forte depressão e chegou a ficar 28 dias internado. Ele lembra que o próprio médico achava que não tinha esperança e foram três anos de sofrimento.
Para Sebastião, hoje os fiscais não podem reclamar porque o trabalho é tranqüilo, comparado com a época em que ele viveu. Hoje tudo é informatizado o que facilita o trabalho. Desde que aposentou Veridiano não vai há um posto fiscal.
O colega fala com orgulho que foi um dos fundadores do sindicato, seu número é o 248. "O sindicato mudou muito, antigamente não tinha essa estrutura que tem hoje, mudou para melhor. Tudo começou com muita luta. Acho muito importante termos um sindicato".
Ele afirma ter consciência de que a categoria precisa de um representante na Assembléia. "Esse ano o sindicato vai lançar o Cláudio, que eu não conheço pessoalmente, mas na minha porta já tem o adesivo dele."
Convênio
Sebastião montou um consultório de odontologia para a sua neta Ketlin de Souza Rodrigues e paga as prestações dos equipamentos até hoje. Na clínica trabalham mais dois dentistas. O aposentado resolveu prestigiar o sindicato com um convênio dentário.
A clínica chama-se Dent´Sano Odontologia ao Alcance de Todos e vai beneficiar os associados, dependentes e funcionários dos Sindifiscal oferecendo uma parceria que teve a iniciativa do aposentado e de alguns colegas.
O convênio possibilita o desconto de 50% sobre a tabela da ABO (Associação Brasileira de Odontologia) em todos os serviços oferecidos. Tem validade de 12 meses. No ato da consulta o associado deve apresentar a carteira do sindicato.
O consultório fica na rua das Dálias, 35, Bairro das Flores, na Serra, o telefone de contato para mais informações é 3243-2011, falar com a secretária Ana Cláudia.
Publicado no jornal Ação Fiscal de fevereiro de 2002.
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