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Mineira, natural de Aimorés, Zuleide Rosangélica de Assis Lopes dedicou 23 anos de sua vida ao trabalho de fiscal no Espírito Santo, aposentando-se há 5 anos, ainda bem jovem. Zuleide conta que ficou sabendo que haveria concurso para o fisco estadual num passeio de trem que fazia por terras capixabas. Era o ano de 1972 e pela primeira vez seria permitido que mulheres fizessem o concurso. "Mulher podia fazer, mas não devia - era o que falavam, pois acreditavam que o trabalho era muito masculinizado e dificilmente uma mulher passaria na prova", relata a Zu (como é chamada pelos amigos).
Mesmo assim ela não se intimidou e foi aprovada no concurso. "Sempre fui uma guerreira, bastante extrovertida, e sempre gostei de desafios", afirma. Com o ingresso no fisco, ela se mudou para Vitória e logo em seguida motivou a vinda de sua família. Zuleide atuou sempre na capital, mas realizou muitos trabalhos em outros estados, como São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro, fiscalizando empresas que precisavam ter registro no Espírito Santo, mas que a sede ficava em outra localidade.
Formada em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo, em 1973, Zu passou um ano em Brasília, com um grupo de cinco colegas do fisco, cursando pós-graduação em administração tributária na Escola Superior de Administração Fazendária. Antes de ser fiscal, a Zu conta que atuou dois anos como professora em Minas Gerais. "Sempre achei que o magistério me limitava e queria ir mais longe. A carreira no fisco me realizou".
Depois que se aposentou, ela tem se dedicado a estudar idiomas, um atividade que aprecia muito, além de realizar com regularidade suas caminhadas para manter a forma e a saúde. Como hobby, Zuleide gosta de cuidar de seus animais - dois cachorros e um gato. Por ter se aposentado muito cedo, a Zu procura se manter ativa, aprendendo e desenvolvendo novas atividades através de cursos do Senac, por exemplo. Em seu segundo casamento, ela está há 12 anos com o companheiro Almir Sant’anna Trancoso. "Como não temos filhos nos dedicamos bastante aos nossos sobrinhos - Estér, de 7 anos, e Benjamin, de 4 anos - que são as nossas paixões. Alguns chegam a pensar que são nossos filhos e os pais ficam morrendo de ciúmes", conta entusiasmada.
Com os colegas de profissão Zuleide não tem do que reclamar, diz que o relacionamento sempre foi o melhor possível. "Costumo dizer que fiz um casamento com a categoria, porque não casamos somente com os bons momentos e acredito que no trabalho, com os colegas, também deva ser assim."
Sempre atualizada e envolvida com assuntos da esfera política, Zuleide afirma que é hora de aproveitar as eleições desse ano e promover uma renovação do quadro da Assembléia Legislativa, elegendo um candidato da categoria para deputado. "Com um representante que conheça de perto os problemas da fiscalização, acredito que será possível difundir o benefício da arrecadação e a importância do tributo, bem como a sua correta aplicação, conscientizando cidadãos e exigindo das autoridades", finaliza Zuleide.
Publicado no jornal Ação Fiscal de junho de 2002.
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